Quarta-feira, 3 de Junho de 2026
“Liturgia da Palavra com Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”
Aclamatio ad Evangelium – Ioannem XI, XXV a, XXVI
R. Alleluia, alleluia, alleluia.
V. Ego sum resurrectio et vita: qui credit in me, etiam si mortuus fuerit, vivet.
R. Alleluia, alleluia, alleluia.
Aclamação ao Evangelho – Jo 11,25a.26
R. Aleluia, aleluia, aleluia.
V. Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que atravesse a morte, viverá, pois permanece unido Àquele que é a fonte inesgotável do ser e da vida que jamais se extingue.
R. Aleluia, aleluia, aleluia.
Deus não sustenta a inexistência, mas plenifica o ser. Nele, a vida ultrapassa toda aparência de fim, e a alma descobre sua permanência na realidade eterna que jamais se extingue.
Proclamatio Sancti Evangelii secundum Marcum XII, XVIII–XXVII
XVIII. Et venerunt ad eum Sadducæi, qui dicunt non esse resurrectionem; et interrogabant eum, dicentes:
18. Aproximaram-se de Jesus alguns saduceus, que negavam a ressurreição, e começaram a interrogá-Lo. Assim também a mente humana, quando se limita apenas ao que é visível, encontra dificuldade para compreender os mistérios que ultrapassam os limites da matéria.
XIX. Magister, Moyses nobis scripsit, ut si cujus frater mortuus fuerit, et dimiserit uxorem, et filios non reliquerit, accipiat frater ejus uxorem ipsius, et resuscitet semen fratri suo.
19. Mestre, Moisés escreveu que, se alguém morrer sem deixar descendência, seu irmão deve receber a esposa e suscitar descendência para ele. A pergunta parte das estruturas da existência temporal, procurando compreender aquilo que pertence a uma realidade superior.
XX. Septem ergo fratres erant; et primus accepit uxorem, et mortuus est non relicto semine.
20. Havia sete irmãos. O primeiro tomou esposa e morreu sem deixar descendência. Os acontecimentos da história manifestam a transitoriedade das condições humanas.
XXI. Et secundus accepit eam, et mortuus est; nec iste reliquit semen. Et tertius similiter.
21. O segundo a recebeu e também morreu sem deixar descendência. O mesmo ocorreu com o terceiro. As sucessivas mudanças da vida recordam que nada do que é terreno permanece para sempre.
XXII. Et acceperunt eam similiter septem; et non reliquerunt semen. Novissima omnium mortua est et mulier.
22. Todos os sete a receberam, sem deixar descendência. Por fim, também a mulher morreu. Assim se revela a condição passageira de todas as realidades submetidas ao curso dos anos.
XXIII. In resurrectione ergo, cum resurrexerint, cujus de his erit uxor? Septem enim habuerunt eam uxorem.
23. Na ressurreição, quando todos ressuscitarem, de qual deles ela será esposa? A pergunta procura interpretar a plenitude futura segundo categorias próprias da existência presente.
XXIV. Et respondens Jesus, ait illis: Nonne ideo erratis, non scientes Scripturas, neque virtutem Dei?
24. Jesus respondeu que eles se enganavam por desconhecerem as Escrituras e o poder de Deus. O erro surge quando o pensamento humano tenta reduzir o infinito às medidas limitadas da compreensão terrena.
XXV. Cum enim a mortuis resurrexerint, neque nubent, neque nubentur, sed sunt sicut angeli in cælis.
25. Quando ressuscitarem dentre os mortos, não se casarão nem serão dados em casamento, mas serão como os anjos nos céus. A plenitude futura não repete as formas atuais da existência, mas manifesta uma condição mais elevada de comunhão com Deus.
XXVI. De mortuis autem quod resurgant, non legistis in libro Moysi super rubum, quomodo dixerit illi Deus, inquiens: Ego sum Deus Abraham, et Deus Isaac, et Deus Jacob?
26. Quanto à ressurreição dos mortos, não lestes no livro de Moisés o que Deus lhe disse junto à sarça, chamando-Se Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacó? A aliança divina ultrapassa os limites da morte e permanece viva diante daquele que é eterno.
XXVII. Non est Deus mortuorum, sed vivorum. Vos ergo multum erratis.
27. Ele não é Deus dos mortos, mas dos vivos. Por isso vos enganais profundamente. Na presença divina, a vida não é destruída, mas conduzida à sua plena realização.
Verbum Domini.
Reflexão
A existência humana alcança sua verdadeira compreensão quando deixa de olhar apenas para aquilo que é passageiro. A morte não possui a palavra definitiva sobre o destino da alma. As transformações do mundo visível revelam apenas uma parte da realidade. O ser encontra sua plenitude quando reconhece sua origem em Deus e sua vocação para aquilo que permanece. A sabedoria consiste em viver cada instante sem perder de vista a dimensão eterna da vida. O coração amadurece quando aprende a confiar mais na verdade do que nas aparências. A serenidade nasce da certeza de que a vida possui um significado que ultrapassa as mudanças do tempo. Assim, a alma caminha com firmeza em direção à plenitude para a qual foi criada.
Versículo mais importante:
XXVII. Non est Deus mortuorum, sed vivorum. Vos ergo multum erratis. (Mc XII, XXVII)
27. Ele não é Deus dos mortos, mas dos vivos. Por isso vos enganais profundamente. A vida que procede de Deus não se encontra aprisionada pelos limites da morte, pois sua origem permanece unida à Fonte eterna do ser. Quem contempla a realidade à luz da presença divina compreende que a existência humana é chamada à plenitude que ultrapassa toda aparência de fim e permanece sustentada por Aquele que é a própria Vida. (Mc 12,27)
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