domingo, 15 de fevereiro de 2026

Evangelho: Mateus 6,1-6.16-18 - 18.02.2026

 


EVANGELIUM SECUNDUM MATTHÆUM VI, I–VI, XVI–XVIII

I
Attendite ne justitiam vestram faciatis coram hominibus, ut videamini ab eis: alioquin mercedem non habebitis apud Patrem vestrum, qui in cælis est.
Vigiai para que vossa retidão não se reduza à aparência, pois o olhar humano é transitório, mas o olhar do Pai permanece no centro invisível onde cada ato é pesado na eternidade presente.

II
Cum ergo facis eleemosynam, noli tuba canere ante te, sicut hypocritæ faciunt in synagogis et in vicis, ut honorificentur ab hominibus: amen dico vobis, receperunt mercedem suam.
Quando repartires o bem, não busques eco exterior, pois a recompensa que nasce do aplauso dissolve-se no tempo; o fruto verdadeiro amadurece no silêncio do ser.

III
Te autem faciente eleemosynam, nesciat sinistra tua quid faciat dextera tua:
Que tua ação brote de tal unidade interior que nem mesmo teu orgulho a reivindique, e o gesto permaneça puro diante do Eterno.

IV
Ut sit eleemosyna tua in abscondito, et Pater tuus, qui videt in abscondito, reddet tibi.
Assim, o que é realizado no segredo participa da luz que não passa, e o Pai, que vê além das formas, restitui segundo a medida do invisível.

V
Et cum oratis, non eritis sicut hypocritæ, qui amant in synagogis et in angulis platearum stantes orare, ut videantur ab hominibus: amen dico vobis, receperunt mercedem suam.
Quando orardes, não transformeis o diálogo sagrado em espetáculo, pois a oração autêntica é encontro do espírito com sua Origem sempre presente.

VI
Tu autem cum oraveris, intra in cubiculum tuum, et clauso ostio, ora Patrem tuum in abscondito: et Pater tuus, qui videt in abscondito, reddet tibi.
Entra no recinto do coração e fecha as portas da dispersão, ali o Pai sustenta o instante e comunica a paz que não depende das circunstâncias.

XVI
Cum autem jejunatis, nolite fieri sicut hypocritæ tristes: exterminant enim facies suas, ut appareant hominibus jejunantes: amen dico vobis, quia receperunt mercedem suam.
Ao jejuar, não obscureças o semblante, pois a disciplina verdadeira não busca reconhecimento, mas purificação do querer.

XVII
Tu autem cum jejunas, unge caput tuum, et faciem tuam lava,
Consagra teus pensamentos e purifica tua visão, para que o sacrifício seja celebração interior e não peso exterior.

XVIII
Ne videaris hominibus jejunans, sed Patri tuo, qui est in abscondito: et Pater tuus, qui videt in abscondito, reddet tibi.
Que somente o Pai conheça teu despojamento, e no agora que nunca se dissolve Ele te conceda a plenitude que nasce do domínio de si.

Verbum Domini

Reflexão
O ensinamento conduz a alma ao recolhimento onde o valor do ato não depende de testemunhas.
A pureza da intenção ordena o interior e fortalece a vontade diante das variações do mundo.
O bem realizado em silêncio edifica o ser com solidez invisível.
A oração recolhida restaura a unidade fragmentada pela dispersão.
A disciplina aceita com serenidade educa o desejo e esclarece o entendimento.
Cada instante contém a possibilidade de retorno ao centro que sustenta tudo.
O coração que age sem buscar aplauso torna-se firme e estável.
Assim o homem encontra sua dignidade no acordo entre consciência e eternidade presente.


Versículo mais importante:

6
Tu autem cum oraveris, intra in cubiculum tuum, et clauso ostio, ora Patrem tuum in abscondito: et Pater tuus, qui videt in abscondito, reddet tibi.

Quando orares, recolhe-te ao santuário interior e fecha as portas da dispersão, pois no íntimo onde o instante toca a eternidade o Pai já te espera. No segredo que não pertence ao tempo que passa, Ele vê o que ainda está em formação e restitui segundo a medida do ser transformado. Ali, no centro silencioso da consciência, a oração não é palavra apenas, mas comunhão com Aquele que sustenta cada agora e o converte em plenitude. (Mt 6,6)

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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Evangelho: Marcos 8,14-21 - 17.02.2026

 


EVANGELIUM SECUNDUM MARCUM VIII, XIV–XXI

XIV
Et obliti sunt sumere panes et nisi unum panem non habebant secum in navi.
Esqueceram-se do pão visível e levavam consigo apenas um. A alma, quando se fixa no imediato, ignora que o essencial já a acompanha no centro do ser.

XV
Et praecipiebat eis dicens Videte cavete a fermento pharisaeorum et fermento Herodis.
Ele os adverte a vigiar o fermento que corrompe interiormente. Há pensamentos que dilatam a verdade e outros que a obscurecem no íntimo da consciência.

XVI
Et cogitabant ad alterutrum dicentes Quia panes non habemus.
Entre si consideravam a falta material, revelando como o espírito muitas vezes permanece preso à aparência e não percebe a plenitude que o sustenta.

XVII
Quo cognito dicit eis Quid cogitatis quia panes non habetis nondum cognoscitis neque intellegitis adhuc caecatum habetis cor vestrum.
Ele revela que a incompreensão nasce do coração obscurecido. A visão interior se abre quando o ser se desprende do temor e se orienta para o que permanece.

XVIII
Oculos habentes non videtis et aures habentes non auditis nec recordamini.
Ter olhos e não ver é viver disperso. Ter ouvidos e não ouvir é ignorar a Voz que ressoa além das mudanças e chama ao despertar contínuo.

XIX
Quando quinque panes fregi in quinque milia hominum quot cophinos fragmentorum plenos tulistis dicunt ei Duodecim.
Ao recordar os cinco pães repartidos, manifesta-se a abundância que ultrapassa o cálculo. Do pouco entregue com confiança nasce plenitude inesperada.

XX
Quando et septem in quattuor milia quot sportas fragmentorum tulistis et dicunt ei Septem.
Também dos sete pães partilhados restaram cestos cheios. A medida humana não contém a generosidade que flui da Fonte invisível.

XXI
Et dicebat eis Quomodo nondum intellegitis.
Ele interpela a consciência adormecida. Compreender é atravessar a superfície dos fatos e perceber a Presença que sustenta cada instante.

Verbum Domini

Reflexão

O ensinamento convida a ultrapassar a ansiedade do imediato e a perceber o sentido que sustenta cada momento.
O coração esclarecido não depende da abundância exterior para permanecer firme.
A verdadeira força nasce do domínio interior e da confiança no Bem.
Quando a mente se aquieta, a realidade revela profundidade antes ignorada.
O pouco oferecido com inteireza torna-se suficiente.
A memória dos sinais fortalece a perseverança diante das incertezas.
A consciência vigilante distingue o que edifica do que corrompe.
Assim, o espírito amadurece e caminha estável no centro do Ser que tudo sustenta.


Versículo mais importante:

XVIII

Oculos habentes non videtis et aures habentes non auditis nec recordamini.

Possuís olhos, mas não contemplais a profundidade do real; tendes ouvidos, mas não escutais a Voz que ressoa além do fluxo dos acontecimentos. A memória que vos falta não é apenas lembrança de fatos, mas consciência desperta do Eterno que se manifesta no agora. Quando o coração se recolhe, a visão se purifica e a escuta se torna interior, percebendo a Presença que sustenta cada instante e atravessa o tempo sem se fragmentar. (Mc 8,18)

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Evangelho: Marcos 8,11-13 - 16.02.2026

 


Evangelium secundum Marcum VIII, XI–XIII

Texto conforme a Biblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam e o Evangelho de Marcos

XI
Et exierunt pharisaei et coeperunt conquirere cum illo quaerentes ab eo signum de caelo tentantes eum.
E surgem as vozes da prova exterior, pedindo sinais no alto, mas o coração que busca o Eterno aprende que a verdade não se impõe pelos céus visíveis, e sim pelo despertar interior que antecede todo fenômeno.

XII
Et ingemiscens spiritu ait quid generatio ista signum quaerit amen dico vobis si dabitur generationi isti signum.
Ele suspira no mais profundo do ser, pois a geração inquieta exige evidências, sem perceber que o eterno já pulsa no instante presente, onde o sentido se revela sem espetáculo, na maturidade do espírito recolhido.

XIII
Et dimittens eos ascendit iterum navem abiit trans fretum.
Então se afasta, atravessando as águas como quem cruza os limiares do tempo, ensinando que a travessia verdadeira ocorre dentro, onde a alma aprende a permanecer firme mesmo quando o mundo oscila.

Verbum Domini

Reflexão

No silêncio do rito, o instante se dilata e toca a origem.
A mente aprende a não depender do extraordinário.
O ser encontra firmeza no centro que não se move.
Cada respiração torna-se participação no eterno agora.
As provas externas perdem força diante da consciência desperta.
A vontade se ordena ao bem que sustenta todas as coisas.
Caminha-se com serenidade, ainda que as águas se agitem.
Assim o coração celebra o Mistério como morada permanente.


Versículo mais importante:

XII
Et ingemiscens spiritu ait quid generatio ista signum quaerit amen dico vobis si dabitur generationi isti signum.

E suspirando no mais íntimo do espírito, revela que a busca por provas externas nasce da dispersão do coração, pois o Eterno já se oferece no instante profundo, onde o agora toca a origem e o ser aprende a reconhecer a Presença sem depender de prodígios, permanecendo firme na consciência que atravessa todos os tempos. (Mc 8,12)

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Evangelho: Mateus 5,17-37 - 15.02.2026

 


Evangelium secundum Matthaeum V, XVII–XXXVII

XVII
Nolite putare quoniam veni solvere legem aut prophetas non veni solvere sed adimplere
Não vim dissolver a Lei que sustenta o ser, mas conduzi-la à sua plenitude interior, onde cada preceito se torna forma viva do eterno no coração humano.

XVIII
Amen quippe dico vobis donec transeat caelum et terra iota unum aut unus apex non praeteribit a lege donec omnia fiant
Em verdade nada do desígnio se perde, pois até o menor traço permanece inscrito na tessitura do real, sustentando o cosmos no instante que não passa.

XIX
Qui ergo solverit unum de mandatis istis minimis et docuerit sic homines minimus vocabitur in regno caelorum qui autem fecerit et docuerit hic magnus vocabitur in regno caelorum
Quem rompe a harmonia do mandamento diminui a própria luz, mas quem o vive torna-se amplo como o céu e participa da grandeza do Alto.

XX
Dico enim vobis quia nisi abundaverit iustitia vestra plus quam scribarum et pharisaeorum non intrabitis in regnum caelorum
A retidão pedida não é exterior, mas transbordamento íntimo, pureza que nasce do centro e conduz à morada invisível do espírito.

XXI
Audistis quia dictum est antiquis non occides qui autem occiderit reus erit iudicio
O antigo preceito ecoa como guardião da vida, lembrando que toda ruptura começa no pensamento antes de tocar as mãos.

XXII
Ego autem dico vobis quia omnis qui irascitur fratri suo reus erit iudicio qui autem dixerit fratri suo racha reus erit concilio qui autem dixerit fatue reus erit gehennae ignis
Mas a chama que consome nasce da cólera secreta, e o juízo já se forma no interior onde a palavra fere antes do gesto.

XXIII
Si ergo offers munus tuum ad altare et ibi recordatus fueris quia frater tuus habet aliquid adversum te
Ao aproximar-te do altar, lembra-te que o culto verdadeiro pede inteireza de consciência.

XXIV
Relinque ibi munus tuum ante altare et vade prius reconciliari fratri tuo et tunc veniens offeres munus tuum
Primeiro recompõe a unidade do coração, depois a oferenda sobe pura como incenso silencioso.

XXV
Esto consentiens adversario tuo cito dum es in via cum eo ne forte tradat te adversarius iudici et iudex ministro et in carcerem mittaris
Caminha em concórdia enquanto percorres o caminho, pois cada passo é ocasião de ajuste e claridade.

XXVI
Amen dico tibi non exies inde donec reddas novissimum quadrantem
Nada fica sem equilíbrio, e até o menor débito pede restauração para que a alma respire inteira.

XXVII
Audistis quia dictum est antiquis non moechaberis
O chamado antigo protege a fidelidade do ser, guardando a pureza do vínculo interior.

XXVIII
Ego autem dico vobis quia omnis qui viderit mulierem ad concupiscendum eam iam moechatus est eam in corde suo
O desvio começa no olhar desordenado, pois o coração é o primeiro templo a ser velado.

XXIX
Quod si oculus tuus dexter scandalizat te erue eum et proice abs te expedit enim tibi ut pereat unum membrorum tuorum quam totum corpus tuum mittatur in gehennam
Remove de ti o que obscurece a visão, ainda que custe esforço, para que o todo permaneça íntegro na luz.

XXX
Et si dextera manus tua scandalizat te abscide eam et proice abs te expedit enim tibi ut pereat unum membrorum tuorum quam totum corpus tuum eat in gehennam
Afasta o gesto que conduz ao erro, pois é melhor perder o supérfluo que afastar-se do caminho do alto.

XXXI
Dictum est autem quicumque dimiserit uxorem suam det illi libellum repudii
Foi permitido separar por dureza do coração, sinal da fragilidade humana.

XXXII
Ego autem dico vobis quia omnis qui dimiserit uxorem suam excepta fornicationis causa facit eam moechari et qui dimissam duxerit adulterat
Mas a união pede fidelidade profunda, pois o amor verdadeiro reflete a constância do Eterno.

XXXIII
Iterum audistis quia dictum est antiquis non periurabis reddes autem Domino iuramenta tua
Também foi dito que a palavra empenhada deve corresponder à verdade que a sustenta.

XXXIV
Ego autem dico vobis non iurare omnino neque per caelum quia thronus Dei est
Não te apoies em juramentos, pois o céu já testemunha cada intenção.

XXXV
Neque per terram quia scabellum est pedum eius neque per Hierosolymam quia civitas est magni regis
Nem pela terra nem pela cidade santa, porque tudo pertence ao Mistério que envolve o mundo.

XXXVI
Neque per caput tuum iuraveris quia non potes unum capillum album facere aut nigrum
Nem por ti mesmo, pois não dominas sequer o fio do próprio cabelo.

XXXVII
Sit autem sermo vester est est non non quod autem his abundantius est a malo est
Que tua palavra seja simples e inteira, pois a verdade dispensa excesso e repousa na transparência do ser.

Verbum Domini

Reflexão
O mandamento não pesa quando nasce do íntimo iluminado
A lei torna-se caminho de unificação do espírito
Cada escolha molda o caráter como o escultor modela a pedra
O coração disciplinado encontra serenidade diante das mudanças
A fidelidade cotidiana constrói morada estável no invisível
O silêncio interior sustenta a ação justa sem violência
A palavra íntegra harmoniza pensamento e gesto
Assim a existência se alinha ao Eterno e caminha em paz contínua


Versículo mais importante:

XVIII
Amen quippe dico vobis donec transeat caelum et terra iota unum aut unus apex non praeteribit a lege donec omnia fiant

Em verdade vos digo nada do que procede do Eterno se perde no curso dos dias. Ainda que céus e terra se transformem, o menor traço do desígnio permanece vivo. Assim a alma aprende que há um fundamento que não passa, onde cada instante repousa e recebe sentido. Nessa permanência invisível somos conduzidos, nutridos e guardados, para que a vida se alinhe ao centro imperecível do Ser. (Mt 5,18)

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Evangelho: Marcos 8,1-10 - 14.02.2026

 


Evangelium secundum Marcum VIII I–X

I In illis diebus, iterum cum turba multa esset, nec haberent quod manducarent, convocatis discipulis, ait illis
Naqueles dias, quando a multidão interior se reúne e nada possui que sacie a alma, o chamado do Mestre ecoa no centro do ser e desperta a consciência para o alimento invisível.

II Misereor super turbam, quia ecce iam triduo sustinent me, nec habent quod manducent
Compaixão brota como luz permanente, pois o coração persevera na busca e reconhece que apenas o eterno sustenta o espírito.

III Et si dimisero eos ieiunos in domum suam, deficient in via, quidam enim ex eis de longe venerunt
Se regressam vazios, esmorecem no caminho da existência, porque vieram de regiões profundas do próprio mistério.

IV Et responderunt ei discipuli sui Unde istos poterit quis hic saturare panibus in solitudine
A mente pergunta como nutrir-se no deserto do mundo, ignorando que a fonte já habita o íntimo silencioso.

V Et interrogavit eos Quot panes habetis Qui dixerunt Septem
Ele mede não a escassez, mas o que já foi confiado a cada um, pois toda dádiva oculta contém plenitude.

VI Et praecepit turbae discumbere super terram Et accipiens septem panes, gratias agens fregit, et dabat discipulis suis ut apponerent Et apposuerunt turbae
O gesto de agradecer abre a dimensão mais alta do instante, e o pão repartido torna-se presença que une céu e terra no mesmo agora.

VII Et habebant pisciculos paucos Et ipsos benedixit, et iussit apponi
Até o pouco é transfigurado quando tocado pela bênção, revelando abundância onde os olhos comuns viam limite.

VIII Et manducaverunt, et saturati sunt Et sustulerunt quod superaverat de fragmentis septem sportas
Todos se saciam e ainda recolhem excedentes, sinal de que o dom do Alto nunca se esgota quando acolhido com inteireza.

IX Erant autem qui manducaverant quasi quattuor milia Et dimisit eos
A multidão retorna renovada, levando consigo a marca de uma plenitude que não depende das horas que passam.

X Et statim ascendens navim cum discipulis suis venit in partes Dalmanutha
O Mestre atravessa as águas como quem atravessa os níveis do ser, conduzindo os seus para regiões mais profundas do sentido.

Verbum Domini

Reflexão
O pão verdadeiro nasce no interior recolhido
Quem aprende a agradecer descobre força constante
O instante torna-se vasto como eternidade silenciosa
Nada falta àquele que governa os próprios impulsos
A provação converte-se em exercício de firmeza
O caminho exterior espelha o caminho da alma
Servir ao bem é alinhar-se à ordem do alto
Assim o coração permanece inteiro e inabalável diante do mundo


Versículo mais importante:

VI

Et praecepit turbae discumbere super terram Et accipiens septem panes, gratias agens fregit, et dabat discipulis suis ut apponerent Et apposuerunt turbae

Ele ordena que todos repousem sobre a terra, pois o espírito somente acolhe o que vem do alto quando aprende a aquietar-se no silêncio interior. Então toma o pão, rende graças e o parte com serenidade; e, nesse gesto sagrado, o instante dilata-se até tocar a eternidade. O que parecia pouco revela-se plenitude, e o alimento transforma-se em sinal do sustento que desce do Invisível e permanece para além do tempo, nutrindo continuamente a alma. (Mc 8,6)

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Evangelho: Marcos 7,31-37 - 13.02.2026

 


Evangelium secundum Marcum VII, XXXI–XXXVII

XXXI
Et iterum exiens de finibus Tyri venit per Sidonem ad mare Galilaeae inter medios fines Decapoleos.
E outra vez, deixando as fronteiras de Tiro, atravessa os caminhos do silêncio interior e chega ao mar da amplidão, onde a alma reaprende a respirar na presença que tudo sustém.

XXXII
Et adducunt ei surdum et mutum et deprecabantur eum ut imponat illi manum.
Trouxeram-lhe um homem fechado aos sons e à palavra, imagem do coração que ainda não escuta o sentido do ser, suplicando o toque que restaura a inteireza.

XXXIII
Et apprehendens eum de turba seorsum misit digitos suos in auriculas eius et exspuens tetigit linguam eius.
Afastando-o do ruído da multidão, toca-lhe os ouvidos e a língua, ensinando que a cura nasce no recolhimento e no contato direto com a Fonte.

XXXIV
Et suspiciens in caelum ingemuit et ait illi Ephpheta quod est adaperire.
Erguendo o olhar ao alto, suspira e pronuncia a abertura do ser, e o íntimo se descerra como porta iluminada pelo sopro eterno.

XXXV
Et statim apertae sunt aures eius et solutum est vinculum linguae eius et loquebatur recte.
No mesmo instante os ouvidos se libertam do torpor e a língua encontra medida e verdade, e a palavra passa a fluir em retidão.

XXXVI
Et praecepit illis ne cui dicerent quanto autem eis praecipiebat tanto magis plus praedicabant.
Recomendou silêncio, pois o bem amadurece na discrição, mas o que é pleno transborda e testemunha por si mesmo.

XXXVII
Et eo amplius admirabantur dicentes Bene omnia fecit et surdos fecit audire et mutos loqui.
E cheios de assombro reconheciam que tudo fora ordenado com perfeição, pois onde havia fechamento surgiu escuta e onde havia mudez nasceu canto.

Verbum Domini

Reflexão:
No recolhimento do coração a escuta se purifica
A palavra nasce quando o interior se aquieta
O toque do Alto restitui a medida justa do agir
Nada falta àquele que permanece inteiro
A força verdadeira cresce no silêncio
O gesto simples harmoniza corpo e espírito
Caminhamos firmes sem dependência do ruído exterior
E cada instante se torna presença plena diante do Eterno


Versículo mais importante:

XXXIV
Et suspiciens in caelum ingemuit et ait illi Ephpheta quod est adaperire.

Erguendo o olhar para o alto, suspira do íntimo do ser e pronuncia a Palavra que abre, e nesse sopro o fechado se dissolve, os limites cedem, e a criatura desperta para a Presença que continuamente a sustenta, como se cada instante fosse criação primeira, e o interior se tornasse passagem viva para a luz que jamais cessa. (Mc 7,34)

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