quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Evangelho: Marcos 7,31-37 - 13.02.2026

 


Evangelium secundum Marcum VII, XXXI–XXXVII

XXXI
Et iterum exiens de finibus Tyri venit per Sidonem ad mare Galilaeae inter medios fines Decapoleos.
E outra vez, deixando as fronteiras de Tiro, atravessa os caminhos do silêncio interior e chega ao mar da amplidão, onde a alma reaprende a respirar na presença que tudo sustém.

XXXII
Et adducunt ei surdum et mutum et deprecabantur eum ut imponat illi manum.
Trouxeram-lhe um homem fechado aos sons e à palavra, imagem do coração que ainda não escuta o sentido do ser, suplicando o toque que restaura a inteireza.

XXXIII
Et apprehendens eum de turba seorsum misit digitos suos in auriculas eius et exspuens tetigit linguam eius.
Afastando-o do ruído da multidão, toca-lhe os ouvidos e a língua, ensinando que a cura nasce no recolhimento e no contato direto com a Fonte.

XXXIV
Et suspiciens in caelum ingemuit et ait illi Ephpheta quod est adaperire.
Erguendo o olhar ao alto, suspira e pronuncia a abertura do ser, e o íntimo se descerra como porta iluminada pelo sopro eterno.

XXXV
Et statim apertae sunt aures eius et solutum est vinculum linguae eius et loquebatur recte.
No mesmo instante os ouvidos se libertam do torpor e a língua encontra medida e verdade, e a palavra passa a fluir em retidão.

XXXVI
Et praecepit illis ne cui dicerent quanto autem eis praecipiebat tanto magis plus praedicabant.
Recomendou silêncio, pois o bem amadurece na discrição, mas o que é pleno transborda e testemunha por si mesmo.

XXXVII
Et eo amplius admirabantur dicentes Bene omnia fecit et surdos fecit audire et mutos loqui.
E cheios de assombro reconheciam que tudo fora ordenado com perfeição, pois onde havia fechamento surgiu escuta e onde havia mudez nasceu canto.

Verbum Domini

Reflexão:
No recolhimento do coração a escuta se purifica
A palavra nasce quando o interior se aquieta
O toque do Alto restitui a medida justa do agir
Nada falta àquele que permanece inteiro
A força verdadeira cresce no silêncio
O gesto simples harmoniza corpo e espírito
Caminhamos firmes sem dependência do ruído exterior
E cada instante se torna presença plena diante do Eterno


Versículo mais importante:

XXXIV
Et suspiciens in caelum ingemuit et ait illi Ephpheta quod est adaperire.

Erguendo o olhar para o alto, suspira do íntimo do ser e pronuncia a Palavra que abre, e nesse sopro o fechado se dissolve, os limites cedem, e a criatura desperta para a Presença que continuamente a sustenta, como se cada instante fosse criação primeira, e o interior se tornasse passagem viva para a luz que jamais cessa. (Mc 7,34)

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Evangelho: Marcos 7,24-30 - 12.02.2026

 


Evangelium secundum Marcum VII, XXIV–XXX

XXIV
Et inde surgens abiit in fines Tyri et Sidonis et ingressus domum neminem voluit scire et non potuit latere.
Erguendo-se, Ele atravessa fronteiras exteriores para revelar o caminho interior, onde nenhum segredo subsiste diante da Presença que tudo penetra.

XXV
Mulier enim statim ut audivit de eo cuius habebat filia spiritum immundum intravit et procidit ad pedes eius.
Ao ouvir o chamado, a alma aflita corre e se prostra, reconhecendo no instante a única Fonte capaz de restaurar a ordem do ser.

XXVI
Erat autem mulier gentilis Syrophoenissa genere et rogabat eum ut daemonium eiceret de filia eius.
Estrangeira aos costumes, mas próxima no coração, suplica com confiança, pois o clamor sincero ultrapassa toda distância.

XXVII
Qui dixit illi Sine prius saturari filios non est enim bonum sumere panem filiorum et mittere canibus.
A palavra prova o íntimo, convidando a consciência a amadurecer, para que o desejo se purifique antes de receber o pão verdadeiro.

XXVIII
At illa respondit et dicit ei Utique Domine nam et catelli sub mensa edunt de micis puerorum.
Humilde, ela aceita o pouco e encontra o tudo, pois quem consente com o real descobre abundância no menor fragmento de luz.

XXIX
Et ait illi Propter hunc sermonem vade exiit daemonium de filia tua.
A confiança torna-se ponte invisível, e a harmonia retorna sem ruído, como aurora que dissipa a noite.

XXX
Et cum abisset domum suam invenit puellam iacentem supra lectum et daemonium exisse.
Ao regressar, contempla a paz restituída, sinal de que o eterno já operava silenciosamente no coração do instante.

Verbum Domini

Reflexão
No recolhimento do espírito, cada passo torna-se retorno ao princípio.
A prova educa o desejo e fortalece a firmeza interior.
Nada do que é essencial depende do ruído do mundo.
O coração que consente com o real encontra serenidade.
Aceitar o limite abre espaço para o infinito agir.
A confiança alinha o ser com a ordem que sustenta tudo.
O instante presente guarda a plenitude que não passa.
Assim caminhamos íntegros, guiados pela luz que nasce de dentro.


Versículo mais importrante:

XXIX
Et ait illi Propter hunc sermonem vade exiit daemonium de filia tua.

E Ele lhe disse: pela inteireza da tua palavra, segue em paz, pois, no mesmo instante em que confiaste, a restauração já se cumpriu. Aquilo que parecia distante realizou-se no agora eterno, onde a presença divina age antes mesmo do movimento dos passos e, silenciosamente, recompõe o ser em sua origem. (Mc 7,29)

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Evangelho: Marcos 7,14-23 - 11.02.2026

 


Evangelium secundum Marcum VII, XIV–XXIII

XIV
Et advocans iterum turbam, dicebat illis: Audite me omnes, et intelligite.
Escutai com o ouvido do espírito e recolhei a mente ao centro do ser, pois a verdadeira compreensão nasce do silêncio interior.

XV
Nihil est extra hominem introiens in eum, quod possit eum coinquinare: sed quae de homine exeunt, illa sunt quae coinquinant hominem.
Nada do exterior macula a essência que procede do Alto, mas o que brota do íntimo revela a desordem ou a pureza do coração.

XVI
Si quis habet aures audiendi, audiat.
Quem possui escuta desperta volte-se para dentro e perceba a voz que atravessa todo instante.

XVII
Et cum introisset in domum a turba, interrogabant eum discipuli eius parabolam.
No recolhimento da morada interior, os discípulos buscam sentido, pois a verdade se desvela longe do ruído.

XVIII
Et ait illis: Sic et vos imprudentes estis Non intelligitis quia omne extrinsecus introiens in hominem non potest eum coinquinare
Ainda presos às aparências, esqueceis que o ser não se define pelo que o toca de fora, mas pelo que consente por dentro.

XIX
Quia non introit in cor eius sed in ventrem, et in secessum exit purgans omnes escas.
O que é apenas matéria segue seu curso e se dissipa, mas o coração permanece como fonte do que perdura.

XX
Dicebat autem quoniam quae de homine exeunt illa coinquinant hominem.
As obras nascem do interior invisível e revelam a qualidade da alma que as gera.

XXI
Ab intus enim de corde hominum cogitationes malae procedunt adulteria fornicationes homicidia
Do íntimo emergem pensamentos turvos quando a consciência se afasta da luz que a sustenta.

XXII
Furta avaritiae nequitiae dolus impudicitia oculus malus blasphemia superbia stultitia
Essas sombras são movimentos de um espírito disperso que esqueceu sua origem e se fragmentou em desejos.

XXIII
Omnia haec mala ab intus procedunt et coinquinant hominem.
Tudo isso nasce no interior desordenado, e somente a retidão silenciosa pode restaurar a limpidez primeira.

Verbum Domini

Reflexão
No recolhimento do culto a alma aprende que a pureza é obra do interior e não das circunstâncias
O coração atento governa seus impulsos como quem vigia uma chama delicada
Nada externo domina aquele que permanece fiel ao centro do próprio ser
Cada escolha torna-se exercício de domínio e clareza
O instante presente revela a eternidade que sustenta todas as coisas
A serenidade nasce quando o querer se harmoniza com a ordem do Alto
Assim o espírito caminha firme entre perdas e ganhos sem se dispersar
E a vida transforma-se em oferenda silenciosa diante do Eterno


Versículo mais importante:

Evangelium secundum Marcum VII, XXIII

XXIII
Omnia haec mala ab intus procedunt, et coinquinant hominem.

Tudo o que obscurece o ser nasce do interior; não é o mundo que desordena a alma, mas o consentimento íntimo que se afasta do Centro. Quando o coração se recolhe ao Agora eterno, a fonte se purifica, e o homem reencontra sua forma primeira diante de Deus, onde cada pensamento é semente de luz ou de sombra. (Mc 7,23)

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domingo, 8 de fevereiro de 2026

Evangelho: Marcos 7,1-13 - 10.02.2026

 


Evangelium secundum Marcum VII, I–XIII

I
Et conveniunt ad eum pharisaei et quidam de scribis, venientes ab Hierosolymis.
Reúnem-se diante do Mestre as vozes da antiga forma, trazendo o peso da memória e do costume, como pensamentos que retornam ao centro da consciência.

II
Et cum vidissent quosdam ex discipulis eius communibus manibus, id est non lotis, manducare panes, vituperaverunt.
Vendo mãos não purificadas, julgam a aparência, esquecendo que a raiz do homem não se mede pela superfície, mas pelo interior que sustenta o gesto.

III
Pharisaei enim et omnes Iudaei nisi crebro lavent manus non manducant, tenentes traditionem seniorum.
Seguem repetições herdadas, buscando segurança nos ritos, como se a repetição externa pudesse aquietar o vazio do coração.

IV
Et a foro nisi baptizentur non comedunt et alia multa sunt quae acceperunt servanda, baptismata calicum et urceorum et aeramentorum et lectorum.
Multiplicam purificações, lavando objetos e formas, enquanto o íntimo pede uma fonte mais alta, invisível e perene.

V
Et interrogant eum pharisaei et scribae quare discipuli tui non ambulant iuxta traditionem seniorum sed communibus manibus manducant panem.
Questionam o Caminho vivo, pois o espírito fixado na regra teme o sopro que renova todas as coisas.

VI
At ille respondens dixit eis bene prophetavit Isaias de vobis hypocritis sicut scriptum est populus hic labiis me honorat cor autem eorum longe est a me.
Ele revela a distância entre palavra e ser, lembrando que a verdadeira honra nasce do centro silencioso onde o homem se encontra com o Eterno.

VII
In vanum autem me colunt docentes doctrinas et praecepta hominum.
O culto vazio se dissipa como fumaça, pois ensinamentos sem verdade interior não atravessam a eternidade do instante.

VIII
Relinquentes enim mandatum Dei tenetis traditionem hominum baptismata urceorum et calicum et alia similia his facitis multa.
Ao apegar-se ao acessório, perde-se o essencial, e a alma se dispersa entre sombras quando abandona a fonte que a sustenta.

IX
Et dicebat illis bene irritum facitis praeceptum Dei ut traditionem vestram servetis.
O apego rígido anula o chamado mais alto, trocando a vida que pulsa por estruturas sem respiração.

X
Moyses enim dixit honora patrem tuum et matrem tuam et qui maledixerit patri vel matri morte moriatur.
A antiga lei recorda a ordem do ser, onde gratidão e reverência mantêm íntegra a harmonia do caminho humano.

XI
Vos autem dicitis si dixerit homo patri aut matri corban quod est donum quodcumque ex me tibi profuerit.
Contudo, criam palavras que desviam o sentido, transformando oferta em desculpa e afastando o cuidado concreto.

XII
Et ultra non dimittitis eum quidquam facere patri suo aut matri.
Assim, o coração se fecha, incapaz de agir com retidão, preso a justificativas que obscurecem a consciência.

XIII
Rescindentes verbum Dei per traditionem vestram quam tradidistis et similia huiusmodi multa facitis.
Ao romper a Palavra viva, multiplicam-se gestos ocos, mas a Verdade permanece, chamando cada ser ao recolhimento autêntico.

Verbum Domini

Reflexão:
No silêncio do coração cessa a disputa das formas
A pureza nasce de dentro como fonte que não se esgota
O gesto simples vale mais que a máscara elaborada
Quem vigia a si mesmo não se perde em aparências
A lei interior orienta cada passo com serenidade
O instante presente contém toda a plenitude do ser
Aceitar o real com firmeza dissipa a inquietação
Assim a vida torna-se oferta contínua diante do Inefável


Versículo mais importante:

VI
At ille respondens dixit eis: Bene prophetavit Isaias de vobis hypocritis, sicut scriptum est: Populus hic labiis me honorat, cor autem eorum longe est a me.

Ele, porém, responde e desvela o descompasso do ser: este povo eleva palavras, mas habita longe do próprio centro; pois só no coração recolhido o homem permanece diante do Eterno, onde o instante não passa e a presença se torna verdadeira adoração. (Mc 7,6)

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Evangelho: Mateus 5,13-16 - 08.02.2026

 


Evangelium secundum Matthaeum V, XIII–XVI

XIII
Vos estis sal terræ. Quod si sal evanuerit, in quo salietur? Ad nihilum valet ultra, nisi ut mittatur foras, et conculcetur ab hominibus.
Vós sois a essência que preserva o mundo do esquecimento. Se perderdes o vigor interior, nada restará que sustente o sentido. Sem o centro vivo, a existência dispersa-se e torna-se pó sob passos distraídos.

XIV
Vos estis lux mundi. Non potest civitas abscondi supra montem posita.
Sois claridade erguida no alto do ser. A consciência desperta não se oculta, pois a verdade, uma vez acesa, eleva-se como cume que atravessa toda sombra.

XV
Neque accendunt lucernam, et ponunt eam sub modio, sed super candelabrum, ut luceat omnibus qui in domo sunt.
Ninguém acende o fogo do espírito para escondê-lo. A chama é colocada no ponto mais alto da alma, para que cada pensamento e gesto recebam direção e calor.

XVI
Sic luceat lux vestra coram hominibus, ut videant opera vestra bona, et glorificent Patrem vestrum qui in cælis est.
Assim resplandeça o que habita em vós, para que as obras revelem harmonia interior e toda ação retorne em louvor Àquele que sustenta o invisível e o eterno.

Verbum Domini

Reflexão
O coração recolhe-se e encontra um eixo silencioso que nada pode romper
A partir desse ponto cada gesto nasce inteiro e sem dispersão
A alma aprende a permanecer firme diante das mudanças do mundo
O domínio de si torna-se mais forte que qualquer ruído exterior
A luz interior guia escolhas claras e responsáveis
O bem realizado não busca aplauso mas consonância com o alto
A serenidade transforma o instante comum em presença plena
E assim a vida inteira converte-se em oferta luminosa ao Eterno


Versículo mais importante:

XVI

Sic luceat lux vestra coram hominibus, ut videant opera vestra bona, et glorificent Patrem vestrum qui in cælis est.

Assim resplandeça a claridade que habita o íntimo do ser, para que cada gesto revele a origem invisível de onde procede a vida. Que as obras se tornem transparência do Alto, e que, ao agir, o coração se alinhe ao Eterno Presente, elevando toda existência ao louvor silencioso do Pai, fonte e destino de toda luz. (Mt 5,16)

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Evangelho: Marcos 6,30-34 - 07.02.2026

 


Evangelium secundum Marcum VI, XXX–XXXIV

XXX Et convenientes apostoli ad Iesum renuntiaverunt illi omnia quae egerant et docuerant.
E reunidos ao Cristo interior, os enviados recolhem as obras do caminho e as depõem no silêncio da Presença, onde todo agir encontra sentido e repouso.

XXXI Et ait illis Venite seorsum in desertum locum et requiescite pusillum. Erant enim qui veniebant et redibant multi et nec manducandi spatium habebant.
E Ele chama ao lugar ermo do coração, ao espaço sem ruído, onde a alma respira além das urgências e aprende o descanso que nasce do alto.

XXXII Et abierunt in navicula in desertum locum seorsum.
Assim atravessam as águas instáveis do mundo, como quem navega para dentro de si, buscando a região imóvel onde o ser se reencontra.

XXXIII Et viderunt eos abeuntes et cognoverunt multi et pedestres de omnibus civitatibus concurrerunt illuc et praevenerunt eos.
Muitos percebem esse movimento e correm, pois todo espírito pressente a fonte e deseja alcançar o centro que antecede os passos.

XXXIV Et exiens vidit turbam multam et misertus est super eos quia erant sicut oves non habentes pastorem et coepit docere eos multa.
Ao contemplar a multidão dispersa, Ele compadece-se e oferece direção interior, ensinando a ordem que recolhe a mente e pacifica o querer.

Verbum Domini

Reflexão:
No recolhimento nasce a clareza que orienta cada gesto
O coração firme não se deixa arrastar pelos ventos do instante
Quem aprende o silêncio governa os próprios movimentos
A compaixão torna-se força serena e não agitação
O caminho verdadeiro inicia-se no interior antes de tocar o mundo
Cada decisão pode brotar de um centro estável e luminoso
Assim o agir torna-se simples, sem excesso nem carência
E a vida inteira converte-se em oração contínua e lúcida


Versículo mais importante:

Evangelium secundum Marcum VI, XXXIV

Et exiens vidit turbam multam et misertus est super eos quia erant sicut oves non habentes pastorem et coepit docere eos multa.

Ao manifestar-se, o Cristo contempla a dispersão das consciências e, movido por íntima compaixão, recolhe-as ao centro do Ser, conduzindo-as do errante para o estável, do ruído para a escuta, instruindo-as na sabedoria que não passa, onde cada instante se abre ao Eterno e o coração encontra direção, repouso e plenitude. (Mc 6,34)

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Evangelho: Marcos 6,14-29 - 06.02.2026



Evangelium secundum Marcum VI XIV–XXIX

XIV
Audivit autem rex Herodes. Manifestum enim factum erat nomen Iesu et dicebat quia Ioannes Baptista resurrexit a mortuis et propterea inoperantur virtutes in illo.
O poder do Nome atravessa as eras e desperta a consciência além das horas comuns, onde o que parece morto retorna como presença viva.

XV
Alii autem dicebant quia Elias est. Alii vero dicebant quia propheta est quasi unus ex prophetis.
As formas mudam, porém o sopro eterno fala sempre, assumindo rostos diversos para recordar a origem invisível.

XVI
Quo audito Herodes ait quem ego decollavi Ioannem hic a mortuis resurrexit.
O remorso faz eco no íntimo e o passado ergue-se diante da alma como espelho do que ainda não foi reconciliado.

XVII
Ipse enim Herodes misit ac tenuit Ioannem et vinxit eum in carcere propter Herodiadem uxorem Philippi fratris sui quia duxerat eam.
Quando o desejo obscurece o discernimento, a mente aprisiona a voz que chama ao retorno do centro interior.

XVIII
Dicebat enim Ioannes Herodi non licet tibi habere uxorem fratris tui.
A verdade permanece ereta como coluna de fogo, mesmo quando confronta tronos e vontades instáveis.

XIX
Herodias autem insidiabatur illi et volebat occidere nec poterat.
O coração dominado por sombras trama silenciosamente, incapaz de suportar a claridade que o denuncia.

XX
Herodes enim metuebat Ioannem sciens eum virum iustum et sanctum et custodiebat eum et audito eo multa faciebat et libenter eum audiebat.
Ainda cercado de poder, o espírito reconhece a retidão e sente secreta atração pela pureza que o chama para o alto.

XXI
Et cum dies opportunus accidisset Herodes natalis sui cenam fecit principibus et tribunis et primis Galilaeae.
Chega o momento propício em que as escolhas ocultas amadurecem e pedem manifestação diante do mundo.

XXII
Cumque introisset filia ipsius Herodiadis et saltasset placuit Herodi simulque recumbentibus et rex ait puellae pete a me quod vis et dabo tibi.
O fascínio dos sentidos distrai a atenção e o ser disperso promete o que não ponderou no silêncio do coração.

XXIII
Et iuravit illi quia quidquid petieris dabo tibi licet dimidium regni mei.
Palavras precipitadas erguem destinos, pois o verbo humano participa do peso do eterno.

XXIV
Quae cum exisset dixit matri suae quid petam at illa dixit caput Ioannis Baptistae.
A consulta às paixões gera conselho turvo e a decisão nasce distante da luz interior.

XXV
Cumque introisset statim cum festinatione ad regem petivit dicens volo ut protinus des mihi in disco caput Ioannis Baptistae.
O impulso sem medida corre veloz e transforma desejo em decreto, como lâmina que corta o curso do tempo.

XXVI
Et contristatus est rex propter iusiurandum et propter simul recumbentes noluit eam contristare.
O apego à aparência aprisiona a vontade e impede o retorno ao caminho reto que ainda sussurra dentro.

XXVII
Sed misso speculatore praecepit adferri caput eius in disco.
Assim o poder externo cumpre sua ordem, ignorando a delicadeza do invisível que sustenta toda vida.

XXVIII
Et decollavit eum in carcere et attulit caput eius in disco et dedit illud puellae et puella dedit matri suae.
O gesto extremo parece triunfo da noite, porém apenas rasga o véu para outra dimensão do ser.

XXIX
Quo audito discipuli eius venerunt et tulerunt corpus eius et posuerunt illud in monumento.
Os fiéis recolhem o que resta e o depositam no silêncio, onde cada fim repousa como semente de eternidade.

Verbum Domini

Reflexão
No recolhimento a alma percebe um eixo que não se move
Nele cada instante toca a origem e o destino simultaneamente
A perda visível não dissolve o que é essencial
O justo permanece inteiro mesmo quando o corpo cai
A vontade firme vence o medo e a perturbação
O perdão converte a dor em claridade interior
Assim caminhamos acima das horas sucessivas
E o coração repousa no bem que jamais declina


Versículo mais importantte:

XX
Herodes enim metuebat Ioannem sciens eum virum iustum et sanctum et custodiebat eum et audito eo multa faciebat et libenter eum audiebat.

Herodes temia a presença do justo porque a retidão abre no íntimo uma altura onde as horas cessam de correr e a consciência toca o eterno. Ao escutar a voz pura, a alma é chamada para além do fluxo dos dias, reconhecendo no silêncio uma medida mais alta do ser, onde cada decisão ecoa diante do Infinito e o coração aprende a permanecer desperto na verdade. (Mc 6,20)

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