Evangelium secundum Marcum VIII I–X
I In illis diebus, iterum cum turba multa esset, nec haberent quod manducarent, convocatis discipulis, ait illis
Naqueles dias, quando a multidão interior se reúne e nada possui que sacie a alma, o chamado do Mestre ecoa no centro do ser e desperta a consciência para o alimento invisível.
II Misereor super turbam, quia ecce iam triduo sustinent me, nec habent quod manducent
Compaixão brota como luz permanente, pois o coração persevera na busca e reconhece que apenas o eterno sustenta o espírito.
III Et si dimisero eos ieiunos in domum suam, deficient in via, quidam enim ex eis de longe venerunt
Se regressam vazios, esmorecem no caminho da existência, porque vieram de regiões profundas do próprio mistério.
IV Et responderunt ei discipuli sui Unde istos poterit quis hic saturare panibus in solitudine
A mente pergunta como nutrir-se no deserto do mundo, ignorando que a fonte já habita o íntimo silencioso.
V Et interrogavit eos Quot panes habetis Qui dixerunt Septem
Ele mede não a escassez, mas o que já foi confiado a cada um, pois toda dádiva oculta contém plenitude.
VI Et praecepit turbae discumbere super terram Et accipiens septem panes, gratias agens fregit, et dabat discipulis suis ut apponerent Et apposuerunt turbae
O gesto de agradecer abre a dimensão mais alta do instante, e o pão repartido torna-se presença que une céu e terra no mesmo agora.
VII Et habebant pisciculos paucos Et ipsos benedixit, et iussit apponi
Até o pouco é transfigurado quando tocado pela bênção, revelando abundância onde os olhos comuns viam limite.
VIII Et manducaverunt, et saturati sunt Et sustulerunt quod superaverat de fragmentis septem sportas
Todos se saciam e ainda recolhem excedentes, sinal de que o dom do Alto nunca se esgota quando acolhido com inteireza.
IX Erant autem qui manducaverant quasi quattuor milia Et dimisit eos
A multidão retorna renovada, levando consigo a marca de uma plenitude que não depende das horas que passam.
X Et statim ascendens navim cum discipulis suis venit in partes Dalmanutha
O Mestre atravessa as águas como quem atravessa os níveis do ser, conduzindo os seus para regiões mais profundas do sentido.
Verbum Domini
Reflexão
O pão verdadeiro nasce no interior recolhido
Quem aprende a agradecer descobre força constante
O instante torna-se vasto como eternidade silenciosa
Nada falta àquele que governa os próprios impulsos
A provação converte-se em exercício de firmeza
O caminho exterior espelha o caminho da alma
Servir ao bem é alinhar-se à ordem do alto
Assim o coração permanece inteiro e inabalável diante do mundo
Versículo mais importante:
VI
Et praecepit turbae discumbere super terram Et accipiens septem panes, gratias agens fregit, et dabat discipulis suis ut apponerent Et apposuerunt turbae
Ele ordena que todos repousem sobre a terra, pois o espírito somente acolhe o que vem do alto quando aprende a aquietar-se no silêncio interior. Então toma o pão, rende graças e o parte com serenidade; e, nesse gesto sagrado, o instante dilata-se até tocar a eternidade. O que parecia pouco revela-se plenitude, e o alimento transforma-se em sinal do sustento que desce do Invisível e permanece para além do tempo, nutrindo continuamente a alma. (Mc 8,6)
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